Capítulo 1
A educação de Daniel e os jovens hebreus na Babilônia

 

O profeta Daniel nasceu numa família de alto nível , por volta do ano 622 a.c.
Daniel viveu a infância na Judéia , e toda a sua vida adulta transcorreu em Babilônia.
 
A Judéia se localizava ao longo da costa oriental do Mar Mediterrâneo ocupando aproximadamente a metade meridional do território hoje ocupado pela moderna nação de Israel. A Babilônia se localizava junto ao rio Eufrates próximo á atual cidade de Bagdá, capital do Iraque.
 
Os rios gêmeos Tigre e Eufrates irrigavam um vale bastante plano, limitado ao leste por uma cadeia de montanhas, e a oeste pelo deserto.Esse vale plano é chamado de Mesopotâmia ou terra que fica entre rios.
 
Essa região sempre demonstrou ser propicio a agricultura em contraste com o Oceano , as montanhas e o deserto que lhe ficam á volta. Em virtude de sua forma e de sua fertilidade, essa porção de terra á muito tempo é conhecida como o crescente fértil.
 
Os impérios assírio e babilônico, que ocupam lugar proeminente na Bíblia, ocupam maior ou menor extensão de terra nas adjacências do crescente fértil.
 
Babilônia até mesmo em seu apogeu, esteve mais menos restrita ao crescente fértil, ainda assim os reis da Assíria e de Babilônia falavam do território por eles governados como sendo o mundo inteiro. Daniel nasceu em um mundo que presenciava grandes mudanças.O império assírio que cruelmente dominara a região por mais de trezentos anos aproximava-se do fim, a nova potencia mundial chamava-se Babilônia. Em linguagem restrita, Babilônia era uma cidade, ou uma cidade estado que incluía as cidades adjacentes. Ela era também conhecida como Akkad, e terra dos caldeus. Ela fora fundado por Ninrode o poderoso caçador (Genesis11).
 
Ela atingira considerável destaque por volta de 1800 a.C., sob a liderança do famoso legislador Hamurabi, cerca de uns 300 anos antes que Moisés, conduzisse os filhos de Israel para fora do Egito. Após a morte de Hamurábi, Babilônia foi ofuscada por outras cidades estados da mesopotâmia, com o decorrer do tempo, ela e as demais cidades da região foram dominadas contra a vontade própria sob as rédeas do império Assírio. Entre 626 e 612 a.C. - o período em que Daniel nasceu, Nabopolassar esmagou o que restava do império Assírio,e tornou-se o fundador do Império Neo-Babilonico, seu filho Nabucodonosor II, conseguiu elevar Babilônia á sua época de ouro.
 
Nabucodonosor II é o Nabucodonosor do livro de Daniel, em termos do idioma caldaico daqueles dias, a grafia e pronuncia do nome desse rei seria Nabu kudurri usur, um termo que representa uma prece dirigida ao deus nabu, em favor de proteção.
 
A nova Babilônia mesmo sob o reinado de Nabucodonosor não chegou a controlar todo o território que anteriormente fora governado pela Assíria, Os medos por exemplo que haviam auxiliado os babilônios em sua revolta contra a assíria, insistiram em manter-se independentes. Nos dias de Daniel, quatro nações principais dominavam o Oriente Médio: Egito, Lidia, Média e Babilônia.
 
Entretanto ao longo da vida de Nabucodonosor,Babilônia manteve-se claramente em posição dominante.
 
Após a morte de Nabucodonosor,foi a Média que assumiu a dianteira:a partir do momento em que se uniu á Pérsia, o império Medo-Persa anexou a Babilônia, o Egito e a Lídia.
 
Durante a infância de Daniel o Egito representava ainda uma força digna de menção, o reino de Judá, terra natal de Daniel, repetidamente buscou estabelecer alianças com o Egito, de forma a resistir à ameaça representada por Babilônia. Quando Nabucodonosor, no processo de construir seu império conseguiu pela primeira vez obter o controle sobre Jerusalém em 605 a.C. uma de suas providencias foi exigir que Jeoaquim, rei de Judá, rompesse sua aliança com os egípcios e assinasse em contra partida um novo tratado com Babilônia.
 
Não muito tempo depois da partida de Nabucodonosor, entretanto o rei Jeoaquim restabeleceu relações com o Egito.
 
Nabucodonosor realizou três viagens a Jerusalém, sendo que cada vez inflingiu castigos mais severos á cidade, durante a primeira visita, levou consigo boa parte dos utensílios preciosos que encontrou no templo erguido por Salomão séculos antes, levou também consigo, como prisioneiros, uma selecionada leva de jovens.
 
Por ocasião da segunda visita efetuada em 597 a.C. Nabucodonosor sentiu-se satisfeito porque o rei Joaquim (não confundir com o rei Jeoaquim), desistiu da rebelião e se rendeu.
 
Entretanto confiscou uma grande quantidade de utensílios do templo e também escravizou 10 mil pessoas, mais tarde após uma séria revolta liderada pelo rei Zedequias.
 
Nabucodonosor retornou a Jerusalém naquela que foi sua terceira viagem , 586 a. C depois de um cerco de 3 anos , ele arrasou a cidade até ao pó.
 
Destruindo completamente o templo. Levou também a maior parte dos habitantes que restaram como cativos deixando apenas "os mais pobres da terra" II Reis 24 e 25.
 
O profeta Ezequiel também foi levado cativo por ocasião da segunda invasão dos babilônios, ao passo que Daniel fora levado na primeira leva de cativos Nabucodonosor também transplantara igualmente para Babilônia cidadãos de outras nações que conquistara. O profeta Jeremias profetizou em nome do Senhor que depois de setenta anos O Senhor traria de volta Seu povo o que ocorreu quando do primeiro reinado do rei Ciro (cerca de 538/537 a.C., aproximadamente a época em que se cumpriu os setenta anos de exílio em Babilônia.
 
Ciro o grande, um rei, um homem levantado pelo Senhor Deus para realizar seus desígnios, (Isaias 44:28 e 45:1) foi o rei que conquistou e aniquilou Babilônia estabelecendo em seu lugar o império Medo - Persa ou Persa, uma das primeiras providencias de Ciro após tomar Babilônia foi a emissão de um decreto que permitia a todos os exilados o retorno para suas respectivas pátrias de origem, desse modo não só os cativos de Judá como também outros povos, com os objetos e utensílios que haviam sido tomados por Nabucodonosor, no caso dos Filhos de Israel como obviamente não tinham imagens de deuses, levaram de volta todos os utensílios sagrados do templo e até mesmo a promessa de reconstruir o templo em Jerusalém.
 
Na verdade Daniel viveu por mais tempo ainda , sua última visão está datada com o terceiro ano do reinado de Ciro (Daniel 10:1) sendo que nesta ocasião o profeta devia estar com aproximadamente oitenta e sete anos de idade.
 
Deus prometeu que os escritos de Daniel seriam corretamente compreendidos no "tempo do fim" e que dessa forma o profeta receberia a sua herança no fim dos dias (Daniel 12:4 e 13).
 
Nesta ocasião o profeta Daniel já se encontrava demasiadamente idoso para retornar a Israel, contudo ele vivera uma vida plena de realizações , uma vida que O Senhor abençoara do inicio até o fim.
 
Ele viveu a certeza que o livro que O Senhor Deus lhe inspirara a escrever proveria conforto imenso em cada um dos séculos seguintes e representaria um tesouro para as gerações seguintes que estariam vivendo e aguardando as promessas do Senhor Nosso Deus.
 
Agora faremos um breve relato dos acontecimentos anteriores que nos dará uma visão mais ampla de todo o desenrolar político daqueles dias e como O Senhor Nosso Deus age conforme sua vontade.
 
O livro de Daniel inicia com um relato de como Daniel um jovem de Judá chegou a tornar-se primeiro ministro do governo do império Neo-Babilonico sob a benção do Senhor.
 
Nabucodonosor viajou a cidade de Jerusalém em 605 a.C. , nessa época a nação de Judá era aliada do Egito, naquele mesmo ano Nabucodonosor derrotou um posto avançado do Egito, localizado em Carquemis, próximo ao rio Eufrates, com a perda dessa guarnição o Egito perdeu o controle que mantinha, sobre a Síria e Palestina permitindo que Nabucodonosor marchasse livremente sobre Jerusalém, ao sul.
 
Já em 601 a.C. Nabucodonosor tentou um ataque direto sobre o Egito mas foi rechaçado sendo que ambos os lados sofreram pesadas baixas.
 
Em Jerusalém, Nabucodonosor forçou o rei Jeoaquim a renunciar ao tratado com o Egito e assinar um acordo com Babilônia, depois levou consigo um numero de reféns jovens provenientes das melhores classes sociais de Judá inclusive o jovem Daniel.
 
Também levou alguns utensílios sagrados de ouro que se achavam no templo do Senhor.
Nabucodonosor mal acabara de tomar essas medidas quando um mensageiro ofegante lhe informa que seu pai Nabopolassar o rei de Babilônia acabara de falecer, e já haviam dez dias em que os mensageiros estavam viajando, imediatamente Nabucodonosor percebeu que não tinha um minuto sequer a perder o trono estava desprotegido e utilizando um caminho perigoso mas relativamente curto através do deserto e levando consigo apenas uma pequena guarnição (ele deixara o grosso do exército que retornaria pela rota regular) .
 
A rota regular que fizeram foi de 1500 km tendo o exército levado os utensílios que haviam tomado e os cativos de Judá entre eles Daniel.
 
Em virtude do calor da tarde ser intenso os corneteiros babilônicos despertevam o exército ao alvorecer , e enquanto o ar ainda era frio e as sandálias achavam-se encharcadas pelo orvalho,
 
Daniel desenrolou-se de seu cobertor, e a medida que o sol se erguia começaram a marchar rumo ao norte em direção a Samaria , pela estrada montanhosa e então ao longo das inclinadas praias da Galiléia, passaram depois entre cadeias de montanhas gêmeas do lendário Líbano.
 
Próximo a Carquemis ( local da vitória que tinham obtido )se dirigiram para a direita em direção a sudeste ao longo do rio Eufrates, aqui o solo era notavelmente fértil mas monotonamente plano, sua superfície estava marcada por vários canais de irrigação.
 
Oficiais governamentais apareciam com frequência, conferindo o estado dos diques e dirimindo disputas acerca de direitos sobre as águas.
 
Pedestres paravam nos campos e vilas a fim de contemplar a longa coluna de soldados e cativos e especular sobre a sorte dos reféns.
Nabucodonosor viajando rapidamente cruzou o deserto á quase inacreditável velocidade de mais de oitenta quilômetros por dia, alcançando a capital em setembro.
 
Ali encontrou oficiais fiéis que lhe estavam guardando o trono. Por sua vez o exército principal manteve uma média diária de não mais de vinte e cinco kms diários. Isto significa que foi apenas depois de dois duros meses que Daniel conseguiu vislumbrar os primeiros traços de Babilônia a projetar-se contra a linha do horizonte ao sul.
O panorama era dominado pelo famoso zigurate (a torrre de Etemenanki ou torre de Babel).
 
Depois de mais um dia de marcha ele foi conduzido através das maciças portas da cidade e colocado em custo dia junto aos demais prisioneiros de Judá, á espera de futuros desdobramentos.
 
O que foram esses futuros desdobramentos é exatamente o breve relato do primeiro capitulo de Daniel.
Nabucodonosor um rei vigoroso e inteligente, ordenou que os reféns fossem examinados quanto á sua capacidade intelectual e de aprender a cultura e a língua dos caldeus.
 
Ele desejava que os melhores dentre aqueles deportados fossem treinados a fim de servirem ao seu governo.
 
Daniel, seus três companheiros foram considerados notavelmente qualificados e assim foram encaminhados a escola real para obterem educação apropriada, a cada um foi dado um novo nome babilônico o de Daniel, Beltessazar que representava um homenagem ao deus babilônico bel.
 
Uma vez chegado a escola real Daniel e seus companheiros descobriram para seu desconforto que seu gene
roso conquistador abastecia a escola com "ricos alimentos" que aos jovens parecia totalmente impróprios, o rei pensava estar fazendo o melhor possível mas Daniel reconheceu que aquela dieta era prejudicial a saúde, e contrario a palavra do Senhor, ordenadas por Deus em Deuteronômio 14, e alem disso a maior parte daquela comida era consagrada aos deuses de babilônia.
 
O fato de comela constituía uma espécie de comunhão com os falsos deuses, e o leal Daniel venceu todo e qualquer embaraço que porventura tivesse sentido e resolveu firmemente não se contaminar com as finas iguarias do rei (Daniel 1:8)abstendo-se da sua comida e do seu vinho, seus três fieis companheiros também fizeram o mesmo, porem notamos que extraordinariamente não se fizerem descorteses com babilônios, de modo sábio solicitaram ao próprio Aspenaz ( chefe dos eunucos do rei) que lhes desse uma simples dieta de vegetais, Aspenaz sentiu-se inclinado a ajudar os garotos, mas temia as consequências, dessa forma os jovens pediram sabiamente que experimentasse por apenas dez dias.
 
Para a alegria de todos ao final de dez dias os quatro jovens estavam muito mais saudáveis do que todos os outros jovens de maneira que foi lhes permitida continuar com sua dieta especial.

 


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