Capítulo 9
A oração de Daniel, as setenta semanas, o Messias

 

No primeiro ano de Dario, começa o profeta: "eu Daniel, entendi, pelos livros que o número de anos de que falara o Senhor ao profeta Jeremias em que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setentas anos". O profeta achava-se preocupado com o texto do capítulo 8:14 segundo o qual  até duas mil e trezentas tardes e manhãs.

O templo de Jerusalém achava-se em ruínas, uma tarde e manhã  representa um dia, de acordo com Gênesis 1 e por certo Daniel estava informado que ao seu contemporâneo o profeta Ezequiel, Deus dissera que nas visões de longo alcance - um dia simboliza um ano, Ezequiel 4:6.

A pergunta que perturbava profundamente  a Daniel era portanto: "será possível que o santuário de Jerusalém não conhecerá a restauração antes de decorrido 2.300 anos?" Durante sua infância em Jerusalém Daniel conhecera o profeta Jeremias.  Certamente guardava com carinho uma cópia dos escritos do velho homem.  Nestes escritos Jeremias  dissera algo sobre o tempo durante o qual Jerusalém deveria permanecer desolada.

Daniel decidiu rever, uma vez mais aquilo que Jeremias dissera.  Desenrolando o livro de Jeremias, Daniel leu que depois de setenta anos, Deus iria castigar "a iniquidade do rei de Babilônia.., como também a terra dos caldeus", Jeremias 25:11 e 12.  Este  pensamento era encorajador - uma  vez que babilônia, a essa altura, já fora castigada pelos medos e persas, e Jerusalém já fora subjugada durante sessenta e oito anos (605 a 538, incluindo na contagem dos anos das duas extremidades).

Os setenta anos achavam-se quase no fim!  Mas Jerusalém e seu templo encontravam-se em ruínas e nada fora feita aparentemente  no sentido de reconstruí-los.  Seria possível depois de tudo o que sucedera, que Jeremias estivesse equivocado?  Seria possível que o santuário teria de permanecer em ruínas durante 2.300 anos?

Daniel desenrolou mais um pedaço do rolo e prosseguiu a leitura atenta: 

"Assim diz o Senhor: Logo que se cumprirem para Babilônia setentas anos atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a Minha boa palavra, tornando a trazer-vos para este lugar (Jerusalém)."

"Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então me invocareis, passareis a orar a Mim e Eu vos ouvirei, Buscar-Me-eis, e Me achareis, quando Me buscardes de todo o vosso coração.  Serei achado de vós, diz o Senhor, e farei mudar a vossa sorte, congregar-vos-ei de todas as nações e de todos os lugares  para onde vos lancei, diz o Senhor, e tornarei a trazer-vos ao lugar donde vos mandei para o exílio.  Jeremias 29:10 a 14."

Que palavras extraordinárias! Quão confortadoras promessas! Este é um maravilhoso quadro de Deus.  Mas a passagem também representava um convite á oração - profunda, solene e penetrante oração. "Quando Me buscardes de todo  o vosso coração, serei achado de vós".

E foi assim que Daniel orou , a maior parte do capitulo 9 é constituída por sua oração e que oração, conforme diz Norman Porteous:  "Se esta era a forma como oravam os homens daquele tempo, então achamo-nos em condições de compreender de que modo  puderam  atravessar as tormentas  daqueles dias.  Enquanto o profeta ainda orava Deus mandou o anjo Gabriel explicar uma vez mais a visão a Daniel, ele chegou a hora do sacrifício da tarde (Daniel 9:21).  Nenhum cordeiro fora oferecido em Jerusalém durante quase cinquenta anos, mas Deus honrou a porção do dia em que um cordeiro teria sido sacrificado e o santuário estivesse em funcionamento, Gabriel apareceu no momento mais apropriado possível  tendo-se em mente que ele veio para explicar uma profecia relativa ao santuário.

O vinculo entre Daniel 8 e Daniel 9, é de importância básica conservar, em mente que Daniel 9 explica Daniel 8:14, e que os dois capítulos constituem uma unidade.  Quando Gabriel apareceu, Daniel reconheceu que o anjo era a mesma pessoa "que eu tinha presenciado na minha visão desde o princípio".  A primeira frase de Gabriel ao profeta foi:   "Daniel agora saí para fazer-te entender o sentido."

Depois de atribuir a Daniel a honra de chama-lo de homem "mui amado", Gabriel acrescentou: "considera pois a coisa e entende a visão".  Gabriel recebera a incumbência de fazer "entender a este a visão" do capitulo 8.  No âmbito daquele capítulo, ele havia explicado todas as coisas com exceção do versículo 14, com suas referencias à purificação do santuário e às duas mil e trezentas tardes e manhãs, ou dias. 

Daniel ainda não possuía uma explicação da purificação do santuário, mas o que mais o perturbava eram os 2.300 dias.  Tratar-se-ia de dias literais (e ele tinha a esperança de que assim fosse), ou seriam dias simbólicos, tais como outros itens de Daniel 8:3 a 14 e á semelhança dos dias de Ezequiel 4:6 ?  E se porventura a referencia fosse a 2.300 anos estaria Deus com isso dizendo que os serviços do templo não seriam restaurados antes de 2.300 anos?  Neste caso o que seria da profecia de Jeremias que mencionava apenas setenta anos?

Daniel achava-se muito preocupado com o cálculo do tempo. Gabriel iniciou sua exposição com uma frase acerca do tempo. Setenta semanas especiais - Disse Gabriel:  "Setentas semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos" Daniel 9:24.

Setentas semanas de anos! Daniel estivera examinando a profecia de Jeremias que mencionava setenta semanas agora porém Gabriel falava acerca de um período sete vezes mais longo, os comentaristas concordam  de forma praticamente unânime em que Gabriel  se referia a um período de 490 anos (70 x 7 anos). E estes 490 anos achavam-se "determinados".   A Bíblia de Jerusalém diz que as setentas semanas foram  "fixadas".

O anjo Gabriel viera para explicar os 2.300 dias, Ele iniciou sua explanação ao anunciar que 490 anos haviam sido cortados ou amputados do período maior.  Na verdade o assunto é extremamente simples, aqui se encontra a resposta a prévia pergunta de Daniel no tocante á extensão dos 2.300 dias.  Uma vez que 490 não podem ser cortados de 2.300 dias literais, pois estes representam menos de sete anos, a solução é bastante clara, os 2.300 dias eram evidentemente simbólicos e representavam 2.300 anos reais.

Evidentemente Daniel ainda sentia vontade de saber quando iniciariam os 2.300 anos de maneira a poder calcular quando eles chegariam ao fim, antes porém temos de  observar  que nos versículos 25 a 27 Gabriel dividiu as setentas semanas de anos em três segmentos de diferentes tamanhos consistindo respectivamente de sete semanas (49 anos) , sessenta e duas semanas (434 anos) e uma semana (sete anos).

Depois disto ele tornou a dividir  a última semana em duas metades (3 anos e meio para cada porção).  O versículo 25 promete o aparecimento do messias e príncipe ao passo que o versículo 26 fala de um príncipe cujo povo destruirá a cidade e o santuário, não é de surpreender que algumas pessoas estudiosas da Bíblia tenham confundido os dois príncipes, entendendo que representam uma só pessoa entretanto a partir do momento em que organizamos o texto  de acordo com as leis do estilo literário hebraico podemos imediatamente separar ou diferenciar os dois príncipes, a seção A do versículo 25 e 26 promete a vinda do messias e príncipe da paz Jesus Cristo, ao passo que a parte B  dos mesmos advertem quanto à vinda do príncipe desolador, as partes a e b são paralelas porém contrastantes.

No versículo 27 o anjo Gabriel diz:  "ele fará firme aliança com muitos por uma semana, e que no meio da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares, assim vemos que o "ele" que mantém a aliança e faz cessar os sacrifícios é encontrada na coluna A, junto com as referencias ás setentas semanas;  Ele não é encontrado na coluna b, portanto Ele é o Messias e Príncipe, o nosso Salvador, Ele é JESUS CRISTO.

Vimos em Daniel 9: 24 a 27, que o anjo Gabriel predisse que o messias faria cessar o sacrifício e oferta de manjares, em outras palavras ele aponta um término  ao sistema de sacrifícios e ofertas, então poderemos perguntar de que modo esta profecia se terá cumprido  uma vez que os sacerdotes judaicos prosseguiram oferecendo sacrifícios e outros tipos de ofertas até que os romanos destruíram o templo no ano 70 d.C. quase quarenta anos após a crucificação e ressurreição do Senhor Jesus, porém o livro de Hebreus nos dá a resposta, ele demonstra ao Senhor Jesus como o verdadeiro interruptor dos sacrifícios, através de sua morte e ressurreição,  Jesus foi o sacrifício definitivo e verdadeiro.  O texto de hebreus não deixa qualquer dúvida:  "porque é impossível que o sangue de touros e bodes remova pecados, tudo isso simbolizando o sacrifício de Jesus na cruz pela humanidade de uma vez por todas, o sangue da nova aliança feito por Jesus na cruz e na sua maravilhosa ressurreição nos dando vida eterna e aos que creem no seu nome reinarão com Ele para sempre. Amém!

 


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