Capítulo 8
A visão de um carneiro e de um bode

 

O capítulo 8 de Daniel inicia-se com outra extraordinária visão do profeta "No terceiro ano do reinado do rei Belsazar apareceu-me uma visão, a mim, Daniel, depois daquela que me apareceu  no princípio.

Na visão que eu tive, vi que eu estava na cidadela de Susã, na província de Elão na visão eu estava junto ao Rio Ulai.

Daniel 8:1 e 2 diz que em visão Daniel pareceu estar em pé junto ao rio Ulai ( um canal de aproximadamente  300 metros   de largura) que fluía próximo a cidade de Susã. O ponto a salientar é que ele se achava localizado  numa comunidade , Susã, que haveria de figurar proeminentemente como cidade tesouro e capital de inverno do Império Medo-Persa, através dessa viagem simbólica ele foi transportado ao futuro ao período do Império Medo-Persa que ainda não havia assumido a liderança mundial ao tempo da visão. 

De acordo com Daniel 8:1 a época em ocorreu a visão foi o terceiro ano de Belsazar, 551 a.C., cerca de dois anos após a visão de Daniel 7. O império babilônico ainda dispunha de uns doze anos de vida em direção ao futuro. Nabonidus seu governante achava-se em Temã desenvolvendo um centro comercial e dedicando-se a rever a adoração da lua. Belsazar co regente estava conduzindo a economia da capital ao colapso, por outro lado Ciro o vigoroso rei da Pérsia achava-se a ponto de conquistar o mundo. 

Mas em 533 ano da visão de Daniel 7, Ciro rebelou-se contra o seu avô, rei Astíages, e logo havia subjugado a Média sob seu próprio controle. 

No ano de 547, quatro anos após a visão de Daniel 8, Ciro anexaria a Lídia estendendo seus domínios para além, do rio Halys, até o mar Egeu. 

Em 539 ele anexaria Babilônia, assim o chifre que surgira por último tornar-se-ia maior que o primeiro.

O império persa desfrutou de grande liderança de seus governantes além de Ciro: Dario I (522 a 486 a.C  e Artaxerxes I (465 a 423 a.C.). Estes dois concederam tratamento especial aos judeus.  Mas Dario III (336 a 331 a.C.) o último imperador persa foi um homem fraco e não representou obstáculo a Alexandre o Grande.

Alexandre derrotou os exércitos de Dario imensamente mais numerosos em três oportunidades marcadas por memoráveis batalhas; primeiro junto ao rio Granico na Frigia em 334 a.C., a segunda vez na costa próxima a Issus na Cilícia em 333; e pela terceira vez na planície de Ardela (ou Gaugamela na Siria) em 331. 

O bode de Alexandre abateu facilmente o carneiro persa, Daniel 8:6 e 7, e Daniel vers 8 diz: O bode se engrandeceu sobremaneira; estando porém na sua maior força, aquele grande chifre foi quebrado, e subiram no seu lugar quatro também notáveis, para os quatro ventos do céu.

O chifre pequeno: Daniel 8: 9 a 14, após a morte de Alexandre seu reino (chifre na visão) foi dividido em quatro chifres notáveis (reinos) para os quatro ventos do céu. A narrativa prossegue: De em dos chifres saiu um chifre pequeno, e se tornou muito forte, significa que ele surgiu de um dos quatro chifres. Portanto o chifre pequeno deverá surgir de um dos quatro ventos ou seja deveria aparecer de um  dos quatro pontos cardeais para efeito de nosso estudo é convincente observar que o império romano (pequeno  a principio) surgiu em um ponto a oeste  em relação aos três primeiros impérios, é lastimável que alguns estudiosos  bíblicos tenham imaginado que o chifre pequeno de Daniel 8 fosse o estranho e pequeno rei Antioco Epifânio.

O verdadeiro cumprimento do chifre pequeno de Daniel 8 só pode ser realmente encontrado em Roma pagã, (ou império romano) e sua sucessora a igreja romana estas são vistas propositalmente como em Daniel 7 sob seu pior aspecto, as seguintes considerações oferecem apoio a essa conclusão: 

1º) Baseados no principio de que as sucessivas visões da Daniel são paralelas e ampliam as visões anteriores, percebemos que em vários sentidos o chifre pequeno de Daniel 8 representa um paralelo e uma ampliação das informações que obtivemos a respeito do chifre pequeno de Daniel 7 e da besta a partir da qual esse chifre cresceu.                    Em Daniel 2 e 7 Roma vem depois da Grécia, portanto Roma também deve seguir a Grécia em Daniel 8.  

2º) Roma apareceu no ocidente tendo saído de um dos "quatro ventos".

3º) Já observamos também que no tocante ao seu aspecto pior de besta selvagem, Roma pagã e Roma cristã representam um continuo, o bispo de Roma foi o sucessor do Império romano. Observe de que forma um recente livro expressou o assunto: "No ocidente, a Igreja assumiu a defesa da civilização romana. O imperador desistiu do titulo (pagão) de Pontifex Maximus (sumo sacerdote) porque os deuses romanos não mais eram adorados. O bispo de Roma assumiu estas funções sacerdotais, e é esta a razão pela qual por vezes o papa é ainda hoje mencionado como pontífice. Quando os hunos, feroz e selvagem tribo comandada por Átila invadiram a Itália e ameaçaram tomar Roma e destruí-la, não foi o imperador e sim o papa Leão, que se defrontou com os bárbaros. Átila ficou tão impressionado com o poder espiritual do papa, que se retirou, quais foram as palavras dirigidas por Leão a Átila não sabemos, mas o fato é que foi o papa e não o imperador que permaneceu em pé nos portões de Roma, o Império Romano transformou-se na Igreja Católica. 

4º) O Império Romano ao contrário de Antioco Epifanio assumiu vitoriosamente o controle do Oriente médio "No fim do ..... reinado" dos reinos helenísticos (gregos).

5º) Ao assumir o controle do oriente Médio o Império Romano - uma vez mais ao contrário de Etioco Epifanio - definitivamente "se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa", Roma cresceu conquistando a Macedônia em 168 a.C., a Síria 65 a.C., a Palestina em 63 a.C., e também o Egito depois de longo protetorado, em 30 a.C. 

6º) Roma pagã enfática e tragicamente "engrandeceu-se" a si mesma contra o "Príncipe do Exército" vers 11. 

7º) Tanto Roma paga quanto Roma cristã destruíram  "os poderosos e o povo santo" ou seja ambas perseguiram um grande número de cristãos e até mesmo torturaram a muitos destes ao longo do processo. 

8º) Tanto Roma pagã quanto Roma cristã tiraram "o sacrifício costumado" e deitaram abaixo "o lugar do seu santuário",versículo 11.  Roma pagã fez isto literalmente mas apenas em um sentido limitado, conforme veremos adiante: em 70 d.C. quando soldados comandados pelo general romano (mais tarde imperador) Tito puseram fogo no templo (ou santuário) em Jerusalém, causando sua completa destruição e fazendo cessar para sempre os seus serviços. Na década de 130 d.C. o imperador romano Adriano construiu um templo pagão em Jerusalém  deu a cidade um novo nome de Aelia Capitolina e chegou tão longe ao proibir os judeus de morarem na cidade- uma lei que esteve em vigor durante séculos.

Daniel 8:23 a 25, as predições interpretadas por Gabriel: 

Verso 23: mas no fim do seu reinado (ao final dos reinos helenísticos simbolizados pelos quatro chifres por volta de 65 a.C.), quando os prevaricadores acabarem (quando a maldade humana houver atingido o clímax), levantar-se-á um rei de feroz semblante (Roma) e entendido em enigmas.

Verso 24: Grande será sua força, mas não de si mesmo.Ele destruirá terrivelmente e prosperará e fará o que lhe aprouver, destruirá os poderosos (inimigos políticos) e o povo santo (o povo de Deus).

Verso 25: Por sua astúcia nos seus empreendimentos fará prosperar o engano (persuadindo a milhões a seguirem as tradições pagãs e medievais), no seu coração se engrandecerá (o imperador como um ser divino, o papa medieval como "um outro deus na terra") e destruirá  a muitos  que  vivem  em segurança (por exemplo,  no massacre de  São Bartolomeu) se levantará contra o Príncipe dos príncipes (Ao Senhor Jesus Cristo, tanto na cruz como na Sua qualidade de real sacerdote no Céu), mas sem esforço de mãos humanas será quebrado, (ou seja pela revelação da verdade com a difusão da palavra pelo evangelho, pelo Dia do julgamento do Senhor, e finalmente pela segunda vinda do Senhor Jesus Cristo).  

E terminamos o estudo de Daniel 8 com os versículos 26 e 27; A visão da tarde e da manhã, que foi dita, é verdadeira tu porém, cerra a visão porque só daqui  a muitos dias se cumprirá. Eu Daniel, estive enfraquecido e enfermo alguns dias.

Então me levantei e tratei dos negócios do rei. Espantava-me com a visão, e não havia quem a entendesse. 

 


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